Profissões digitais

Profissões digitais5 de outubro de 2026

Quanto ganha quem trabalha com política sem ser candidato em 2026

A eleição deste ano escolhe 513 deputados federais, dois terços do Senado, governadores e presidente. Em volta de cada mandato trabalha uma equipe que não aparece na urna: assessores de gabinete, gente de campanha, analistas e profissionais de relações governamentais. Os salários variam muito, e a forma de contratação também.

Assessor parlamentar na Câmara

Na Câmara dos Deputados, o cargo oficial se chama secretário parlamentar. É cargo de confiança: o deputado escolhe quem contrata, sem concurso, e pode dispensar quando quiser. Cada gabinete pode ter até 25 secretários, trabalhando em Brasília ou no estado do deputado.

A remuneração prevista em lei vai de R$ 1.710,83 a R$ 12.979,45, e pode ganhar uma gratificação de até 100% do salário. Tudo isso precisa caber na verba de gabinete, que desde fevereiro de 2026 é de R$ 165.806,07 por mês para cada deputado. Assembleias legislativas e câmaras municipais têm regras e tabelas próprias.

O ponto fraco é a estabilidade. Como o cargo depende do mandato, um deputado que não se reelege costuma levar a equipe junto. Para trabalhar com o Legislativo de forma estável, o caminho são os concursos da Câmara, do Senado e das assembleias.

Relações institucionais e governamentais

É a área de quem representa empresas e entidades junto ao poder público. A pessoa acompanha projetos de lei, prepara argumentos técnicos e conversa com gabinetes e órgãos de governo. No mercado ela aparece como RIG, e no Brasil a atividade ainda não tem lei própria que a regulamente.

Dois levantamentos feitos com dados de carteira assinada do Caged apontam média entre R$ 9,7 mil e R$ 9,9 mil por mês para a ocupação (CBO 142345). Um deles mostra mediana perto de R$ 6,6 mil, sinal de que poucos salários altos puxam a média para cima. A consultoria empresarial é o setor que mais contrata.

Como as pessoas entram

O caminho mais comum passa por campanha eleitoral ou por gabinete, que funcionam como escola. Direito, ciência política, comunicação, economia e relações internacionais são as formações que mais aparecem na área.

Para começar sem gastar, as Escolas do Legislativo e o Interlegis oferecem cursos para assessores, muitos gratuitos. O que pesa no dia a dia é saber como um projeto anda do protocolo até a sanção, ler orçamento público e conversar com gente que pensa diferente de você.